Os populares e os "mete nojo"

Costumo dizer que há, essencialmente, dois tipo de pessoas: o tipo popular, bem disposto e que se dá bem com toda a gente; e o tipo "mete nojo", aquele que segue um conjunto de princípios que normalmente deixa as maiorias mais indispostas.

O primeiro não entende porque é que o pessoal se chateia tanto uns com os outros, não liga muito às chamadas causas sociais ou ambientais e menos ainda às frentes políticas. Não se envolve em nada que promova o confronto apimentado de opiniões ou crenças e acredita muito pouco que a solução dos problemas estruturais da sociedade, como a falta de emprego ou de segurança, possa estar na participação política e, portanto, votar é praticamente uma coisa de alguns idealistas ou interesseiros. A vida é uma selva, logo, é cada um por si.

O segundo é movido por forças opostas. Tem as suas ideias e convicções bem definidas e é fiel a elas custe o que custar, doa a quem doer. É o tipo que quer mudar o mundo e a quem dá prazer provocar o debate, porque exige ser convencido sobre tudo o que o rodeia através de argumentos e factos. Facilmente se coloca e se bate contra os interesses instalados e contra as injustiças. Não é popular porque não agrada a todos e apenas desperta pequenas paixões. Por ser pouco acarinhado pelos senhores do poder e por aqueles que os apoiam, vê parte do seu bem estar sacrificado, quer pela falta de tranquilidade pessoal, porque vive em constante indignação com o que se passa à sua volta e pouco poder fazer, quer pela dificuldade que sentirá em singrar na vida, porque percorrerá um caminho onde muitas portas lhe serão automaticamente fechadas.

Também entendo que o primeiro é o mais querido e desejado, mas que apenas o segundo pode gerar mudanças, tal como temos verificado ao longo da história de toda a humanidade.