E assim viveram felizes para sempre.
Não há conto de encantar, de príncipes ou princesas que não acabe de coração cheio e com o prenúncio da felicidade eterna. E da minha história não deverão esperar outro desfecho senão o de um final feliz.
Mas esta não é uma história de contos de fadas. É uma aventura de amor que tem lugar neste nosso mundo moderno, perpetuada através da palavra escrita, para que os adultos continuem a acreditar sempre nos seus príncipes e princesas. É verdade que não darei conta de nenhum cavalo branco ou de qualquer janela, torre ou castelo. Não falarei de nenhum reino, nenhuma madrasta ou bruxa más. Neste conto darei férias à cegonha que transporta os bebés pelo longo bico e tratarei o sexo e seus prazeres com o normal compromisso físico e platónico entre duas pessoas. Não falarei de alguém sempre bonzinho ou sempre mauzinho e tão pouco esperarei pelo final para vos apresentar a moral da história, porque é já com ela que vou começar.
O amor é tudo
Alice tinha uma personalidade forte.
Solteira.
Academicamente pós-graduada.
Profissionalmente competente.
Mãe dedicada.
Mas como mulher sentia-se vazia por dentro.
O filhote nasceu sem planeamento, embora fruto de um namoro de alguns anos, que começou logo nos primeiros tempos de Faculdade. Ela sempre foi a melhor expressão das palavras responsabilidade e dedicação. Excelente aluna e colega de toda a turma, Alice não contava ter de fazer o último ano de curso já com um barrigão. E de um barrigão daqueles só poderia nascer um João.
O parto não foi fácil. Um erro médico deixou-a desfalecida e de cama durante o primeiro mês de vida do menino. Valeram-lhe os cuidados da mãe, incansável enfermeira e avó.
Diz-se que ser-se mãe é o que transforma uma rapariga numa mulher. E Alice teve de reforçar essa escolha quando o pai do João saiu de casa. Sem arrufos ou sentimento de tragédia. Simplesmente escolheram não continuar a ser um casal, porque o que os unia já não era o desejado amor entre um homem e uma mulher. Haveriam agora de ser bons amigos, porque o João assim merecia que fossem.
O menino tinha um ano quando passou a viver apenas com a mãe, mas à data desta história já contava quase cinco.
(continua)